
Sou Leonardo, 58 anos na cara e a mente corrompida pela insanidade deliciosa da carne nua. Sou testemunha ocular, cúmplice e sobrevivente de tudo o que ferve no Sítio Hedonism - a comunidade naturista fechada, onde o pudor foi degolado e a única lei que nos governa é o prazer visceral, o suor salgado e o gozo sem trégua.
Essa porra toda explodiu há quase vinte e oito anos, arrancando de vez os trilhos da minha sanidade e vergonha. Eu era um trintão neurótico, zumbi castrado da metrópole cinzenta, quando fui atropelado pelo furacão chamado Carol, uma ninfeta libertária e insaciável de apenas 23 anos. Fui arrastado sem freio para a libertação absoluta. Ela até tentou cantar a bola: "Amor, já vou te avisando a família curte naturismo e vive pelada". Mas nada prepara a cabeça de um pequeno burguês católico para o choque térmico da anarquia pagã carnal!
Fascinado por esse mundinho dos pelados sem tabus, fui direto beber na fonte do veneno. Colei na minha sogra, Dona Zelda, a matriarca indomável da Família Freikörper, que ergueu ao lado do meu sogro Gustav o Sítio Hedonism uma utopia profana fincada na neblina espessa da serra carioca:
- Sogrinha, desembucha sem meias palavras e sem pudor: como caralhos o Sítio Hedonism, uma putaria coletiva maravilhosa do “todo mundo nu, oba!” começou?



Se vocês acham que essa molecada engravatada de hoje inventou a putaria e a rebeldia, vocês não entendem é de porra nenhuma! Puxem uma cadeira e ouçam a voz da experiência no mundinho do naturismo hedonista:
- Sou a Zelda. 76 anos estupidamente bem vividos, com rugas de quem já gargalhou na cara do perigo e gozou litros sem pedir licença para deus ou o diabo! Tenho o fogo francês fervendo nas veias e cuspo com gosto na cara da hipocrisia. Minha revolução sexual nunca precisou de cartilha moral: perdi o cabaço novinha com um homem bem mais velho, quebrando tabus antes mesmo da maioria de vocês nascer, descobrindo cedo demais que a buceta e a pele foram feitos para queimar de tesão.
Viver reprimido, escondendo a própria carne, é um crime doentio contra a natureza!
Desde garota me atirei no naturismo hedonista, buscando satisfação pessoal no talo, trepadas sem compromisso, sem coleira e sem vínculo afetivo asfixiante. Nos anos 1980, entrei de cabeça no olho do furacão: a cidadezinha de Cap d’Agde, na costa mediterrânea da França. Aquilo era o éden da perdição para libertinos, voyeurs, exibicionistas e swingers loucos por adrenalina! A galera andava nua em qualquer canto: faziam compras no mercado, pagavam contas no banco, cortavam o cabelo e comiam na padaria com paus, peitos e cus balançando livremente ao vento, sob o sol da Riviera!
E eu era muito linda e gostosa aos 20 anos. Loira, olhos claros, peitinhos durinhos feito pedra, barriga chapada, coxuda e com uma bunda arrebitada que fazia marmanjo tropeçar nas areias da praia. Eu adorava ficar peladinha, exibir e esfregar minha juventude na cara daquele povo! Foi nesse matadouro de luxúria que dei de cara com Gustav, minha alma gêmea da devassidão. Um holandês colossal de quase um metro e noventa, armado com um pau colossal, cabeçudo, com anel peniano de metal enfeitando a rola - coisa que eu nunca tinha visto na vida. Aquele gigante me desmontou só com o olhar faminto!
Não teve cortejo babaca, frescura ou joguinho desinteressado. O sangue ferveu na hora e nos atracamos ali mesmo, no chão da praia, socando com violência e sem freio nas areias quentes, enquanto uma plateia de voyeurs aplaudia e se masturbava vendo a nossa foda selvagem. Ninguém se escondia; o tesão explícito era a nossa comunhão diária!
O choque foi tão avassalador que largamos a Europa e viemos para o Rio de Janeiro. No início em Copacabana e depois para usufruir da libertinagem, na região serrana. Para a vizinhança pacata e preconceituosa, éramos o casal gringo excêntrico que vivia de vender artesanato, compotas e strudel de maçã. Mas a pouca roupa sufocava nossos instintos. Nós somos naturistas de sangue, porra! Amamos o vento batendo nos corpos nus e somos libertos sexuais da cabeça aos pés!
Cansados de nos escondermos, Gustav e eu juntamos as forças e compramos um sitiozinho no meio da mata fechada, totalmente impenetrável aos olhos dos moralistas. Erguemos o Sítio Hedonism do zero, a quatro mãos, no tesão e no suor. Um refúgio fruto da loucura de nós dois! Hoje, o sítio recebe dezenas de amigos despudorados, despidos de toda a vergonha: transar no capim, gozar na piscina, trocar de parceiros e viver o sexo livre. E assim, eu e Gustav, criamos o Sítio Hedonism onde a liberdade impera absoluta.